Você sabia Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na lua, morreu em decorrência de um evento adverso?

Antes mesmo de iniciar sua carreira na NASA, o jovem Armstrong vivia uma vida arriscada, tendo atuado, inclusive, na Guerra da Coreia, conflito iniciado em 1950. Durante a guerra, chegou a encarar uma situação bastante complicada: ao ter o avião que pilotava danificado, teve de ejetar o seu assento. Posteriormente, chegou à NASA e os riscos continuaram. Foi designado a comandar a Missão Gemini 8, em 1966 e, um ano depois, finalmente partiu junto à Apollo 11 com o objetivo de se tornar o primeiro homem a pisar na lua. E o fez, entrando para a história.

Em 1969, Neil Armstrong, astronauta norte-americano, entrou para a história ao embarcar na Missão Apollo 11, da Nasa, e chegar ao solo lunar. Mas por que trazer esse assunto para um debate de saúde e segurança do paciente? Pois, mesmo após vivenciar uma das experiências mais perigosas possíveis, Armstrong faleceu mais tarde, aos 82 anos, em decorrência de um evento adverso.

De acordo com publicação de 2016 da Revista Science (1), uma viagem ao espaço envolve muitos perigos, que vão desde radiação cósmica, fragmentos de átomos carregados de energia do sol que podem danificar células; fungo espacial, microrganismos que podem sobreviver às condições extremas encontradas no espaço; até a microgravidade, que pode causar a deterioração dos ossos e dos músculos.

E depois de uma vivência repleta de grandes desafios profissionais, o que tirou a vida de Neil Armstrong? Um evento adverso.

Aos 82 anos, nos Estados Unidos da América, Armstrong procurou atendimento em um hospital regional com episódio de dor torácica. Na consulta, diagnosticaram obstruções nas artérias circunflexa e coronária direita, duas das três artérias principais do sistema coronariano. A decisão médica foi encaminhá-lo para uma cirurgia de emergência para revascularização, porém, problemas surgiram no pós-operatório, como explica Lucas Zambon, diretor científico do IBSP.

“É comum que os pacientes saiam, das cirurgias cardíacas, com um marcapasso para que se recuperem, inclusive, do período de circulação extracorpórea. Os cabos desse marcapasso são passados pela pele e no pós-operatório eles são retirados. Neil Armstrong estava nessa condição quando as enfermeiras desconectaram os cabos e se depararam com um incidente: um sangramento intenso que evoluiu para derrame pericárdico”, diz Zambon enfatizando que o paciente apresentar um sangramento de volume grande o suficiente para gerar derrame e um tamponamento cardíaco capaz de desencadear um choque é um evento bastante raro. Infelizmente, Armstrong não resistiu e faleceu alguns dias depois.

Todo o caso começou a ser debatido após reportagem publicada no jornal The New York Times (2) revelar que a família de Armstrong recebeu uma indenização de US$ 6 milhões para não abrir detalhes da assistência dada ao ex-astronauta durante sua estada no hospital. A reportagem também trouxe luz à questionamentos sobre as condutas adotadas no caso e como o episódio poderia ter sido evitado.

O primeiro questionamento feito diz respeito à decisão de operar Armstrong aos 82 anos, submetendo-o a um procedimento tão invasivo como o de revascularização, sendo que tratamentos clínicos poderiam ter sido adotados. Aqui caberia o conceito do Choosing Wisely, sendo analisado qual o real impacto positivo no prognóstico da realização da cirurgia. Essa era a decisão mais sábia para aquele momento?

O segundo ponto está na tomada de ação após o sangramento ser iniciado. Ao identificar o sangramento, a equipe o levou para a sala de hemodinâmica a fim de tentar estancar o sangue. Mas não obteve sucesso e somente depois ele foi encaminhado à sala de cirurgia.

Uma junta médica acionada pelo periódico norte-americano indicou que a melhor opção seria levar o paciente imediatamente para o centro cirúrgico para que uma cirurgia de peito aberto pudesse tentar resolver o quadro. “O cenário era de um paciente evoluindo com choque, somado a um eco que demonstrava que ele estava em uma situação de aumento brutal do sangramento dentro do pericárdio. Assim, passá-lo primeiramente pela hemodinâmica foi uma decisão equivocada”, explica Zambon.

Nesse momento, podemos perceber um cenário que, na literatura inglesa, é chamado de Failure to Rescue, ou seja, a incapacidade de resgatar o paciente após alguma situação complexa. “Uma vez que o evento adverso tenha ocorrido, a reação e a mitigação do dano também integram a gestão de segurança”, pontua o diretor do IBSP.

O caso, acontecido em 2012, reforça a necessidade do estabelecimento da cultura de segurança nas instituições de saúde e foi tema de um episódio da Rádio IBSP que traz uma reflexão de Lucas Zambon envolvendo, inclusive, questões relativas à evitabilidade de eventos adversos como o que levou Neil Armstrong à morte. Confira abaixo!

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